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domingo, 30 de janeiro de 2011

ELA VOLTOU


Neudes de Lucena

Ela voltou.

Meu coração,

abriu-se,

rangendo,

como dobradiças velhas,

enferrujadas e fracas.

Pediu-me pousada e comida

e ficou,

até o inverno acabar.

Derretida a neve,

partiu...

sem dizer adeus,

deixando a cama desfeita,

e muita saudade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

AMOR

Neudes de Lucena


O amor

não escolhe idade

e nem lugar.

Surge,

sem que se possa evitar.

O meu amor por você,

surgiu de um simples olhar,

e foi crescendo,

crescendo,

crescendo.

E, agora...?

terça-feira, 2 de março de 2010

FINAL FELIZ

Costumo dizer, com frequência, que vejo, ouço e sinto o mundo com olhos, com os ouvidos e com o coração de um poeta, que não sou. Mas, mesmo não o sendo, faço do mundo um grande poema, um poema de contradições: amor e indiferença, bom e ruim, riqueza e miséria, risos e lágrimas, alegrias e tristezas, paz e guerra e assim por diante.

Meu mundo é um mundo em constante movimento, mesmo porque, no universo nada é estático. Tudo se movimenta e se modifica. E o mundo do meu poema não apenas se movimenta, ele se agita desesperadamente entre o fogo e o amor, numa luta desatinada entre o bem e o mal, em que , espero, tenho certeza, este haverá de ser vencido.

O mundo dos meus sonhos conhecerá o ideal, um ideal só de paz, de amor e de justiça. E o meu poema, então, terá um final feliz

terça-feira, 10 de novembro de 2009

ÓH! SOL

Neudes de Lucena

Oh! Sol.
Que outros fujam a tua luz,
que importa.
Redobra tuas chamas
e dá ânimo a minha existência morta.
Consome tudo o que há de impuro em mim.
Indica-me o caminho escondido de Deus.
Mostra-me o meu irmão que tem fome
.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ÁGUA CAINDO DA CASCATA


Neudes de Lucena



Adoro
água caindo
da cascata.

Gosto de sentir
sua força
batendo em meu corpo,
e partindo,
sem sofrer...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

MEU GRITO



Neudes de Lucena

Não sussurro palavras.
Grito a plenos pulmões,
minhas angústias e sofrimentos.
E é tão franco e sincero
o meu grito,
que chega a parecer um poema.
Agosto/1969

sábado, 31 de outubro de 2009

MEU OLHAR

Neudes de lucena


Senhor,
a noite chegou.
vou cerrar as pálpebras
meus olhos concluíram mais um dia
contemplando o mundo que criaste e
que os homens tentam modificar.


A noite,
volto meu olhar
para a minha alma
transportando-a
à luz e ao calor de Teu sol.
Então,
oro a Ti,
clamando por nova manhã clara,
para que, ao abrir os olhos,
de alma lavada,
eu possa servir ao Senhor,
meu Deus.


Senhor,
torme meus olhos bem claros,
bem abertos;
meu olhar bem firme,
bem reto,
mas jamais um olhar
desiludido,
desabusado
ou deseperado...


Senhor,
que meu olhar desperte fome de pureza,
seja límpido,
cheio de graça,
nunca perca a ternura.
e a capacidade de chorar.
Que meus olhos,
nunca se fechem por medo,
e para a miséria do mundo,.
mas, tão só,
para melhor Te encontrar.












< / p>

UM CANTO

Neudes de Lucena

Do meu canto
vem um canto,
suave,
leve
que me acalma,
sossega meus pensqamentos
e
aquieta minha alma.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

APENAS UM SONHADOR

Neudes de Lucena



Meu velho,
tu que colocas
sonho rodopiando
no carrossel de minha cabeça,
faz-me fruto de tua colheita
filho de tua eterna família.


Não quero continuar
sendo sempre o herói
de velhas estórias
e nem
a maior vitrina de um grande desastre.
Quero que me faças,
apenas,
um sonhador.


E que,
sonhando,
eu encontre
o melhor caminho
e a melhor filosofia de vida.
Um caminho
que me leve à morada da liberdade;
uma filosofia
que me transforme
numa peça,
ajustada,
perfeitamente adaptada
a uma engrenagem social
humana,
justa,
livre,
que me assegura a paz que tanto busco.

Caxias do Sul, dez/1969

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

UM POEMA TRISTE

Neudes de Lucena


A solidão fez da minha vida
um poema triste.
Guardo no pleito
um coração cheio de amor.
No cérebro,
pensamentos desconexos
buscam a razão de viver.
Olho!
Nada vejo ao meu redor.
De repente... bem de repente,
outros fantasmas esfarrapados,
surgem das entranhas da terra,
e dançam na minha existência vazia,
ritmos exóticos e desesperados.
E, um misto de angústia e mêdo
invade todo o meu ser.


Caxias 1970

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

DIA UNIVERSAL DA CRIANÇA

Neudes de Lucena



Joazinho.
Lá em casa me ensinaram
Deus que existe,
que é bom e justo.
Não acredito, Joãozinho.
Não acredito, não.
Se existisse Ele,
bom e justo como dizem meus pais,
certamente nos teria feito
todos iguais.
Não acredito, Joãozinho.
Não acredito, não.
Se Ele é bom e justo,
Por que você é rico
e eu não?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

INCAPAZ DO SIM E DO NÃO

Neudes de Lucena





Gosto das noites claras,
onde tudo em silêncio arde
.

Ao luar,
Contando estrelas maduras,
Não estou sozinho.

Tenho medo da escuridão.

As trevas Tornam-me cego e indiferente.
Incapaz de fazer sim e do não.

Somente a paz das noites de luar
me mostra o caminho do céu.
Flores da Cunha, RS 1970

SONHEI COM UM LOUCO

Neudes de Lucena





Sonhei
um louco com
Caminhando da noite dentro.
Uma noite diferente,
Havia luzes,
enfeites havia.
Havia alegria.
Alegria
Coletiva
Pura,
Cínica,
chocante,
Mas havia,
Em todos os semblantes,
menos não do insensato,
que chorava,
Gritando palavras desconexas
contra a multidão,
como se esta fosse a culpada
Haver de amargura em seu coração.


2


Uma multidão prosseguia
indiferente,
abafando como Blasfêmias do demente,
com seus cânticos de paz,
Fogos de artifícios
e com os gritos felizes
das crianças
soltando balões de gás.


3


De repente
Tudo se Transformou.
A pós-se uma multidão chorar
E o louco a sorrir.
Era a morte do sonho.
Era uma esperança
um morrer com a noite.
Era uma realidade dura
de um novo dia a surgir.


4


Os Cântico de paz
transformados em prantos
de sangue a correr pelo chão.
Os fogos de artifícios
em bombas de guerra.
O riso alegre das Crianças
em tristes lamentos de
Inocentes pedindo pão.
As mensagens de amor,
de Paz
Para os homens de boa vontade
na terra,
em tristes notícias
de crimes,
revoluções,
inflação,
Fome,
Dor,
luto,
Ódio,
Guerra.


5


O louco
sorriu, cínico,
Mas sorriu.


Então,
Acordei
com uma sensação
de que o eu era louco.


Natal, 1970

PRECISO ME LIBERTAR

Neudes de Lucena


Não.
Não suporto mais
passividade esta
morna,
Mansa,
Mansa,
inconscientemente que
estou deixando
Tomar conta de ser meu.


Preciso
me libertar,
para Liberto,
seguir meu cominho,
Horizontes sem,
levando meu canto,
por vales e Monte
Até a felicidade da mora.


Não nasci para o conformismo,
esta prisão invisível,
O homem que mantém
recluso em si mesmo.
Prefiro
seguir a esmo,
Curtindo a incerteza de
Novas aventuras,
a me engajar
ao rol das Criaturas
que,
conformadas,
perderam a vontade de cantar.


Quero meu verso,
jogado ao vento,
Transmitindo Alento
aos desanimados,
que fugiram a luta
Antes da Batalha.
Quero transformar meu canto
nenhum manto que agasalha
E, com meu cantar,
sorrido adormecer
meus desafortunados irmão.


Quero meu verso
amor ensinando,
mitigando a dor,
Lágrimas secando,
levando otimismo aos corações
angustiados.


Preciso, com urgência,
me libertar,
para Liberto,
seguir meu caminho,
Horizontes sem,
cantando;
E que
meu canto,
por montes e vales,
Siga Despertando Consciências,
Saciando a sede
E a fome,
libertando o homem
do próprio homem.

.

ACORDEI COM O DESEJO

Neudes de Lucena


Acordei com o desejo
de sair por ai
uma angústia minha gritar.

Os homens do universo
Agitam-se em meu cérebro exausto.

O remorso CoRoe-me as entranhas
Como se eu fosse
o responsável pela matança Vietname não.

Meus ouvidos escutam
lamentos estranhos
dos que, famintos,
Vivem não,
vegetam.

Diante dos meus olhos,
Fantasmas e Demônios
dançam uma dança da morte.

Estarei ficando louco?

Ai, quem dera ...

Ai!
quem dera
existisse UMA FORÇA
Capaz de fazer os homens
pararem para pensar,
um segundo,
um segundo las,
Tempo suficiente
encontrarem uma solução para
para os problemas do mundo
.