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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

HOMENAGEM A THIAGO DE MELO



Foto com o poeta Thiago de Mello, extraida durante uma solenidade promovida pela União Caxiense de Estudantes Secundário (UCES), na época em que ela foi por mim presidida. Nessa ocasião, escreveu-me um poema que guardo até hoje e diza assim:
Estive doente
Doente de tudo
Dos olhos, da boca,
do nervos até.
Dos olhos que viram
Mulheres perfeitas
Da boca que disse
Poemas em brasa
Dos nermos manchados
De fumo e café.
Estive doente
Doente de tudo
Estou fatigado
Nãoposso escrever
Eu quero um punhado
De estrelas maduras
Eu quero as delícias
Do verbo viver.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

CARTA AOS MEUS NETOS




Quando eu for grande quero ser

Um bichinho pequenino

Para me poder aquecer

Na mão de qualquer menino

Quando eu for grande quero ser

Mais pequeno que uma noz

Para tudo o que eu sou caber

Na mão de qualquer de vós

Quando eu for grande quero ser

Uma laje de granito

Tudo em mim se pode erguer

Quando me pisam não grito

Quando eu for grande quero ser

Uma pedra do asfalto

O que lá estou a fazer

Só se nota quando falto

Quando eu for grande quero ser

Ponte de uma a outra margem

Para unir sem escolher

E servir só de passagem

Quando eu for grande quero ser

Como o rio dessa ponte

Nunca parar de correr

Sem nunca esquecer a fonte

Quando eu for grande quero ser

Um bichinho pequenino

Quando eu for grande quero ser

Mais pequeno que uma noz

Quando eu for grande quero ser

Uma laje de granito

Quando eu for grande quero ser

Uma pedra do asfalto Quando eu for grande...

Quando eu for grande...

Quando eu for grande quero ter

O tamanho que não tenho

Para nunca deixar de ser

Do meu exacto tamanho


"Quando Eu For Grande

(Carta aos Meus Netos)" -José Mário Branco