sexta-feira, 9 de outubro de 2009

INCAPAZ DO SIM E DO NÃO

Neudes de Lucena





Gosto das noites claras,
onde tudo em silêncio arde
.

Ao luar,
Contando estrelas maduras,
Não estou sozinho.

Tenho medo da escuridão.

As trevas Tornam-me cego e indiferente.
Incapaz de fazer sim e do não.

Somente a paz das noites de luar
me mostra o caminho do céu.
Flores da Cunha, RS 1970

SONHEI COM UM LOUCO

Neudes de Lucena





Sonhei
um louco com
Caminhando da noite dentro.
Uma noite diferente,
Havia luzes,
enfeites havia.
Havia alegria.
Alegria
Coletiva
Pura,
Cínica,
chocante,
Mas havia,
Em todos os semblantes,
menos não do insensato,
que chorava,
Gritando palavras desconexas
contra a multidão,
como se esta fosse a culpada
Haver de amargura em seu coração.


2


Uma multidão prosseguia
indiferente,
abafando como Blasfêmias do demente,
com seus cânticos de paz,
Fogos de artifícios
e com os gritos felizes
das crianças
soltando balões de gás.


3


De repente
Tudo se Transformou.
A pós-se uma multidão chorar
E o louco a sorrir.
Era a morte do sonho.
Era uma esperança
um morrer com a noite.
Era uma realidade dura
de um novo dia a surgir.


4


Os Cântico de paz
transformados em prantos
de sangue a correr pelo chão.
Os fogos de artifícios
em bombas de guerra.
O riso alegre das Crianças
em tristes lamentos de
Inocentes pedindo pão.
As mensagens de amor,
de Paz
Para os homens de boa vontade
na terra,
em tristes notícias
de crimes,
revoluções,
inflação,
Fome,
Dor,
luto,
Ódio,
Guerra.


5


O louco
sorriu, cínico,
Mas sorriu.


Então,
Acordei
com uma sensação
de que o eu era louco.


Natal, 1970

PRECISO ME LIBERTAR

Neudes de Lucena


Não.
Não suporto mais
passividade esta
morna,
Mansa,
Mansa,
inconscientemente que
estou deixando
Tomar conta de ser meu.


Preciso
me libertar,
para Liberto,
seguir meu cominho,
Horizontes sem,
levando meu canto,
por vales e Monte
Até a felicidade da mora.


Não nasci para o conformismo,
esta prisão invisível,
O homem que mantém
recluso em si mesmo.
Prefiro
seguir a esmo,
Curtindo a incerteza de
Novas aventuras,
a me engajar
ao rol das Criaturas
que,
conformadas,
perderam a vontade de cantar.


Quero meu verso,
jogado ao vento,
Transmitindo Alento
aos desanimados,
que fugiram a luta
Antes da Batalha.
Quero transformar meu canto
nenhum manto que agasalha
E, com meu cantar,
sorrido adormecer
meus desafortunados irmão.


Quero meu verso
amor ensinando,
mitigando a dor,
Lágrimas secando,
levando otimismo aos corações
angustiados.


Preciso, com urgência,
me libertar,
para Liberto,
seguir meu caminho,
Horizontes sem,
cantando;
E que
meu canto,
por montes e vales,
Siga Despertando Consciências,
Saciando a sede
E a fome,
libertando o homem
do próprio homem.

.

ACORDEI COM O DESEJO

Neudes de Lucena


Acordei com o desejo
de sair por ai
uma angústia minha gritar.

Os homens do universo
Agitam-se em meu cérebro exausto.

O remorso CoRoe-me as entranhas
Como se eu fosse
o responsável pela matança Vietname não.

Meus ouvidos escutam
lamentos estranhos
dos que, famintos,
Vivem não,
vegetam.

Diante dos meus olhos,
Fantasmas e Demônios
dançam uma dança da morte.

Estarei ficando louco?

Ai, quem dera ...

Ai!
quem dera
existisse UMA FORÇA
Capaz de fazer os homens
pararem para pensar,
um segundo,
um segundo las,
Tempo suficiente
encontrarem uma solução para
para os problemas do mundo
.

NEGRO VELHO

Luís Gustavo de Lucena





Negro Velho,
andarilho dos caminhos da vida,
que embora pobre e maltrapilho,
andavas por atalhos,
Semeando amor,
Galhos quebrando,
sorrindo, sempre,
Ao som do canto dos pássaros,
no riacho do prazer.


Um Rei parecias,
quando, no cume da montanha,
lá em cima,
Mais perto do céu,
um Deus semelhante,
ficavas, frente ao Sol,
Carinhosamente
a me ensinar
a amar a vida
que,
muitas vezes doida,
Suportar conseguistes.


Agora,
Chegou a tua hora.
Te colocaram na cova fria,
bem junto ao Cipreste,
e eu,
Velho Mestre,
Fico aqui sem tua proteção.
Acabou-se a poesia,
Mas a lição foi aprendida.


Como me ensinastes,
Seguirei
Vivendo
(sorrindo ou chorando)
que importa?
Sou livre.
E, Liberto,
Andarei em frente,
como tu fizestes, meu Preto Velho,
lançando uma semente
do amor
nos corações de novas gentes.

MENSAGEM

Luis gustado de Lucena


1.

Meu velho.
Vem comigo,
Vamos sentar ali,
À Beira daquele córrego,
de água pura e limpa,
como a vida que sonhamos.


2


Deixe que uma brisa
Mexa os cabelos teus
e leve TEUs
Pensamentos
para outras cabeças.


3


Deixes
Teu amor
Junto à pureza do Córrego,
Para que uma correnteza
o leve para outros corações.


4


Permita que o sol
te ilumine,
Porque DELE
Vem a luz eterna,
que te encherá de paz.


5


Mas,
Não deixe que esta luz
te segue.


6


Permaneças
úmido como uma corredeira da Pedras,
Para Que teus desejos
escorreguem,
por entre elas,
Sigam e livres,
feito uma água,
para o mar.


7


Entretanto,
se nada disso conseguires,
Suba ao alto daquela montanha,
Beira que a cidade
e despeje,
ar não poluído,
a tua raiva,
para que se misture
uma das pessoas que la Agitam se,
Porque elas,
também,
Não entenderam a minha mensagem
.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SOLIDÃO

Luís Gustavo de Lucena


A solidão me corre.
Leva pouco a pouco,
minha vontade de viver.
Já gosto do meu quarto,
onde passo
tardes e noites entermináveis,
pensando o que fzer
com o resto de ternura
que,
com muito custo,
ainda conservo
dentro
de mim.